AUR - Arch Linux
Vamos falar dele, o temido AUR! Brincadeiras a parte, no post anterior foquei nos repositórios binários, porque queria falar do AUR (Arch User Repository) separadamente, ele merece uma atenção especial, já disse algumas vezes que não sou muito fã do AUR, mas pretendo esclarecer os motivos para isso ao decorrer da nossa conversa e claro, mantendo alinhado com a Arch Wiki.
Nesta serie que estou fazendo, o objetivo é explicar o Arch Linux de forma a esclarecer duvidas e acabar com equívocos sobre o sistema, o que é extremamente comum, mesmo entre usuários do Arch.
Outros desta serie:
O AUR é sem duvidas uma das ferramentas mais atrativas do Arch Linux, sua enorme gama de aplicações, muitas que não possuem pacotes em nenhuma outra distro como pacotes que possuem só o código-fonte.
[...]"os pacotes AUR são conteúdos produzidos pelo usuários. Os arquivos fornecidos são completamente não oficiais e não foram devidamente verificados. Qualquer uso dos arquivos fornecidos é por sua conta e risco. "[...] fonte: https://wiki.archlinux.org/title/Arch_User_Repository
O AUR usa o mesmo sistema do ABS (Arch build system), que é um sistema de compilação e empacotamento de softwares a partir do código-fonte, é comparado com o ports dos BSDs.
Para entendermos o AUR precisamos primeiro conhecer as ferramentas usadas por ele, vamos falar do makepkg e PKGBUILD.
PKGBUILD
Basicamente um script shell que contem a receita para a construção do pacote, como a url do código-fonte, nome, versão, hash para integridade e possui instruções para a preparação do código-fonte para a compilação e a compilação em si, além do empacotamento, é semelhante aos ebuild do Gentoo.
O AUR nada mais é que uma grande coleção de PKGBUILDS e alguns outros arquivos como chaves e licenças, disponibilizados pela comunidade, vamos salientar que não são oficiais e não são devidamente verificados.
Makepkg
O makepkg é um script feito para automatizar a compilação de pacotes, usando os PKGBUILD.
O makepkg possui um arquivo de configuração muito importante o makepkg.conf, semelhante ao make.conf do Gentoo, é nele onde são definidos as regras e flags para a compilação e empacotamento dos softwares.
AUR
Agora que sabemos quais ferramentas o AUR usa e seu conceito básico, vamos aprofundar um pouco.
O AUR foi feito para compartilhar pacotes novos para a comunidade, possui um sistema de votação, onde pacotes populares, que possuam licenças compatíveis e que atendam os requisitos de qualidade de empacotamento podem ser integrados no repositório oficial, geralmente o extra.
Geralmente o AUR possui versões legadas de softwares, que saíram dos repositórios oficiais, como drivers da Nvidia, além de versões modificadas e versões mais novas do que as do repositório oficial.
Pode ser usado diretamente pela interface web, assim como os repositórios oficiais, também pode ser usado um dos seus AUR helpers, como o yay, que é o que eu uso. Esses helpers automatizam a parte de download, build e instalação, o yay por exemplo funciona como o pacman, serve para atualizar/instalar/desinstalar pacotes do AUR.
Segurança
Essa é uma parte muito criticada sobre o AUR, sua segurança, já que é mantido pela comunidade, não possui a confiabilidade dos repositórios oficiais, já houverem casos de pacotes maliciosos no AUR.
A principal recomendação de segurança para o AUR é sempre ler os PKGBUILD antes de instalar qualquer coisa, lá é onde vai estar tudo, da onde o fonte esta vindo, os comandos usados etc. E claro, caso o software em questão esteja nos repositórios, prefira eles, são mais auditados.
Conclusão
Esse é o essencial que você precisa saber sobre o AUR, mas antes tinha dito que não gostava muito do AUR, seria pela segurança? Não, vou explicar:
A manutenção dos pacotes do AUR dependem da comunidade, para pacotes populares ou mais recentes, geralmente você não terá problemas, os seus arquivos e principalmente o seu PKGBUILD são bem mantidos, mas pacotes menores, menos populares costumam sofrer muitos problemas, seus arquivos e o PKGBUILD costumam quebrar com frequência durante algum dos processos do makepkg.
Podem ser problemas, como o as URLs do fonte, expirarem e se tornarem invalidas, a versão usada no PKGBUILD depender de alguma versão especifica de algum software que pode ter sido atualizado, ou só ter sido abandonado e estar todo quebrado, mas isso não é o fim do mundo, claro que você pode editar os PKGBUILD, corrigindo a maioria dos problemas.
Bem, é inegável que o AUR é uma mão na roda, não só para softwares legados, como versões muito recentes de softwares, como mesa-git, bem popular e seus pacotes modificados, como diversos kernel modificados para os mais diversos fins.
Use com cautela, saiba como funciona e saiba usar os PKGBUILD e poderá usufruir totalmente do AUR, liberdade com responsabilidade.
Os próximos posts da serie talvez seja sobre o pacman, ou devtools, o que acham?
Sequencia:
Fontes:
Adivinha? kkkkkkk
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